Desenvolvimento de autoestima dos filhos

Solange Maria Rosset

fevereiro de 2023

 

Uma das questões que os pais trazem quando estão preocupados com os filhos é a questão da autoestima da sua prole; como melhorar, como desenvolver.

O primeiro aspecto a ser analisado é de que: tudo que desejo para o meu filho depende, principalmente, de como aquele aspecto está dentro de mim.

Pais com autoestima elevada possuem um senso profundo de seu valor e de sua capacidade; amam a vida; expressam todos os seus sentimentos e não têm medo de expressar suas convicções; têm relações íntimas com o outro; podem aceitar críticas construtivas; toleram frustrações; veem os erros e falhas como oportunidade para um aprendizado posterior. Também têm consciência de suas fraquezas, falhas e falta de conhecimento.

Pais com autoestima média têm sérias dúvidas e são bastante dependentes da aprovação dos outros com relação à aparência e ao sucesso para se sentirem valorizados. A insegurança os segue o tempo todo. Muitas vezes, padrões de controle e dominação ou de gentileza acompanham suas relações. Têm medo de erros e falhas e, raramente, sentem-se realizados na vida.

Pais com autoestima baixa têm um profundo senso de desvalorização e inutilidade. Podem ser altamente negligentes consigo mesmos e com os outros e são muito difíceis de agradar. Podem ser altamente agressivos ou altamente passivos; nas relações, podem ser muito possessivos ou rejeitadores.

Na minha experiência clínica, quando os pais compreendem que a autoestima de seus filhos depende diretamente da sua própria autoestima, descobrem argumentos e razões para se trabalhar, antes de querer resolver as pendências dos seus filhos.

Ainda com relação à autoestima, acho muito rica uma proposta da terapeuta americana Virginia Satir sobre algumas condições básicas que os filhos necessitam para ter autoestima.

A primeira condição é estar fisicamente confortável. A outra condição éter continuidade no relacionamento. Pode, então, treinar a próxima condição que é aprender a influenciar e prever as reações dos outros.

Para completar o processo, a criança precisa desenvolver autoestima em duas áreas: como uma pessoa com domínio e como uma pessoa sexuada. Uma pessoa com domínio pressupõe alguém que tem potência e competência, de acordo com a idade, e que tem espaço, relações e ações que mostram suas possibilidades; é alguém que pode resolver seus próprios problemas. Isso se aprende vendo os pais validarem seu crescimento e desenvolvimento.

Ter autoestima como uma pessoa sexuada pressupõe ter aprendido na relação com seus pais que ser do seu próprio sexo é importante, é bom, é valorizado.

Então, se quero trabalhar a autoestima dos meus filhos, o primeiro passo é trabalhar a minha autoestima, pois o nível de autoestima dos pais é um fator crítico na criação dos filhos.