Real, magia e processo da vida
Solange Maria Rosset
Julho de 2025
Magia é acreditar no imaterial, que as coisas podem acontecer; é ter encantamento com pessoas, situações ou coisas.
Ser mágico ou acreditar que alguém é mágico é ficar preso no sentimento infantil de que alguém de fora vai resolver o problema. Isso leva as pessoas a usarem álibis para não lidar com as frustrações e limites; a ir buscar a solução nas pessoas e lugares que prometem enxergar o futuro maravilhoso, que prometem escaladas sem esforço, crescimento sem dores e perdas.
Ter a magia sem ser mágico, sem ser ingênuo e fantasioso, e sem usá-la como manipulação ou álibi. Esse é o caminho da pessoa que compreende o que é a magia no dia a dia, nas relações e realizações.
Uma das tarefas dos pais é ensinar os filhos a lidar com as frustrações do dia a dia, a aprender formas de manter o desejo e o sonho, mas aceitar os limites da realidade e fazer bons usos dessa realidade.
As crianças que não aprendem isso na época certa, se tornarão adultos que ficarão presos a um sentimento infantil de imaginar o mundo como mágico e desenvolverão uma forma de lidar com as pessoas e as situações através de idealizações. Criarão profetas e ídolos aos quais seguirão esperando os milagres, e quando estes não vierem, matarão, figurada ou concretamente, seus profetas e ídolos.
A grande magia é acreditar no processo da vida. Poder fazer isso sem receio de ser piegas ou infantil, mas como uma forma de acompanhar e se encantar com o que acontece além da nossa potência e imaginação.
Dois elementos da magia diária são a fé e a confiança, que devem ser desenvolvidos constantemente e servirem de base para as decisões e escolhas.
Fé é acreditar que algo – difícil, inusitado, necessário, bom - pode acontecer; e confiança é ter certeza de que pode acontecer para si.