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Perguntar "Por que?" cristaliza os padrões de funcionamento
Solange Maria Rosset
outubro de 2023
Uma das formas de definir aspectos dos padrões de funcionamento em crianças é perguntar aos pequenos “Por que?”.
Quando algo acontece – a criança chora, a criança morde o amiguinho, a criança se agarra nas pernas da mãe, e todos os outros comportamentos possíveis – o adulto diretamente ligado é invadido por sentimentos e sensações, e para aliviar a sua angustia a forma mais automática é perguntar para a criança o por que de ter feito aquilo.
A criança não sabe porque fez aquilo. Nem os adultos saberiam responder, na maioria das vezes, o porque dos seus atos. Pois, a vida não é tão simples assim: um fato, um comportamento é a somatória de várias razões e influências.
Ao estar numa situação desagradável, tendo feito ou dito coisas que são desaprovadas, e sendo forçado a dar uma resposta de algo que não consegue saber, mas que a pressão do adulto exige que diga, aumenta o estresse da criança. E então, para sair dessa situação ela dá uma resposta – que na maioria das vezes já “sentiu” que é aceitável – porque tenho medo, estou cansado, não sei fazer, ele me bateu, e todas as outra possibilidades.
Se essa resposta for razoavelmente aceita, será repetida em outras situações semelhantes. E aquele “porque” passa a fazer parte da sua forma de ser, da forma como ela reage e como ela se enxerga. E assim, vai enrijecendo como uma das característica do seu funcionamento.
Essa crença sobre si mesma, será cristalizada com o passar do tempo, chegando a vida adulta com total inconsciência.
Transformar o “Por que?” em perguntas mais circulantes - Oque está acontecendo? Como isto aconteceu? Qual era seu desejo – auxilia as crianças a tomarem consciência de si, e dos seus atos.
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